“Sobre a tragédia”: Por Regis Truccolo

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Thiaguinho, soube que ia ser pai, antes de viajar para disputar a primeira partida da final da Copa Sul Americana pela Chapecoense. Alan Ruschel saberia hoje, pela namorada, a data em que pretendiam se casar. O técnico Caio Junior, antes de embarcar mandou um recado para o assessor de imprensa: “Um abraço guri”.  Dos três, apenas Alan Ruschel sobreviveu, com inúmeras fraturas e o risco de ficar paraplégico, ao acidente aéreo com o avião da companhia Lamia que transportava jogadores e diretores do Clube de Futebol Chapecoense e ainda jornalistas do Brasil, ocorrido na madrugada deste dia 29 de novembro de 2016, que vitimou, 75 pessoas, sobrevivendo apenas 6 passageiros, conforme as informações da imprensa nacional e internacional. Uma tragédia. Mais uma tragédia. As causas ainda serão analisadas, uns falam em pane seca (falta de combustível), outros em falam em pane elétrica. Como bem disse o ex-jogador de futebol, Paulo Roberto Falcão, ao ser entrevistado sobre o ocorrido: “A tragédia em si é muito forte. Ali não morrem só pessoas, morrem sonhos. Sonhos de uma geração de jogadores. No caso da Chape, era para ser Campeão da Sul Americana, o maior momento da história do clube. É inexplicável”. Hoje, no mundo inteiro, as pessoas acordaram sob a notícia desta tragédia da aviação internacional e do mundo esportivo. Muitos perderam familiares, uns perderam colegas de trabalho, outros perderam amigos. Eu perdi um ídolo da minha infância, Mario Sérgio Pontes de Paiva, o Vesgo, craque de bola dos anos 70/80, que jogou em inúmeros clubes brasileiros, sendo campeão nacional pelo Internacional em 1979, de forma invicta e posteriormente campeão mundial de clubes pelo Gremio em 1983. Atualmente, desde 2012, Mario Sérgio era comentarista esportivo da Fox Sports Brasil. O Brasil e o mundo choram a tragédia. Diariamente milhões de pessoas viajam pelo mundo em voos aéreos. Eu mesmo, viajo várias vezes ao ano. Sempre voos tranquilos, mesmo em trechos longos. Já enfrentei turbulências, mas nada que causasse pânico. Faz parte da rotina de muita gente, viajar em voos. O que fica sempre, é aquele pensamento. E se eu não chegar? Não é o medo da morte. Mas medo de deixar incompleto um trabalho. Medo de não poder dizer adeus a quem se ama. Medo de não receber o crédito pelo que se trabalhou. Medo de desamparar a família. Acho que todos, temos esses receios, esse medo. Mas a vida segue. Hoje, milhares embarcaram em algum voo com destino certo. E lá chegaram para alegria de quem os ama. Fala-se em destino, fala-se em caminhos. Acho que devemos viver a vida

com muito amor no coração, por nossos familiares, nossos amigos, e principalmente por nós mesmos, só assim, ao chegar a nossa hora, teremos a certeza de cumprida nossa missão, podermos fazer a passagem, serenos, tranquilos, com fé em Deus, acreditando em algo melhor da existência que ficou, e das lembranças que deixaremos um dia. Rezemos por Chapecó, pelas famílias e pelas vítimas. Que Deus nos conforte!

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