A última viagem por Maurício Fernandes

 

Não parece, mas da primeira a esta, que foi a última viagem, se passaram sete anos. Quando olhamos para trás vemos que a distância percorrida foi infinitamente menor do que a experiência adquirida. Aprendemos muito, nos transformamos de protagonistas em observadores e sempre admiradores.

Nesta viagem, de tão poucos quilômetros, vimos juntos um mundo mudar. Mas não pense que tratamos aqui deste nosso planeta Terra, repleto de novidades a cada instante, seria muito simples. O mundo que vimos mudar é muito mais complexo, mais rico, mais misterioso.

Deixemos este mundo enigmático um pouco de lado e tratemos antes, de recordar nossas viagens, curtas, mas repletas de risos, sustos, ironias e um bocado de cara feia também. Eram naturais do momento. Sonhamos, imaginamos e traçamos planos. Alguns infalíveis, dignos de outro Maurício, o de Souza, para abandoná-los logo em seguida. Nestas viagens, também descobrimos outros mundos, o mundo do conhecimento, o mundo da cooperação, o mundo das novas amizades e novas descobertas. No início nos sentíamos mais professores, prontos a ensinar sobre o que já tínhamos vivido. Hoje, sete anos passados, nos tornamos conselheiros por vezes, e ouvintes sempre, ávidos por escutar as novidades daquele novo mundo que se descortina diante de nossos olhos.

Neste novo mundo, muita coisa mudou, desde suas características físicas, cada dia mais belo, e principalmente seu interior, sempre em ponto de ebulição. Das pequenas descobertas, elementares, até as discussões filosóficas e políticas, muito mudou, tudo se aprimorou.

Então, com um sentimento indescritível que mistura, como numa poção de alquimista, alegria com tristeza, esperança com apreensão, orgulho com a humildade de reconhecer a participação de tantos nesta construção, enfrentamos esta última viagem. Ambos sabemos que ao atravessar pela última vez os portões do colégio um ciclo se encerra, ao mesmo tempo que outro ciclo se descortina.

Daqui em diante você se transformará em universitária, talvez numa terra distante, desacompanhada pela primeira vez, mas sozinha nunca. Sempre estaremos ao seu lado, em pensamento, em oração, agradecidos. Vê-la crescer sempre foi muito bom, mas vê-la amadurecer foi indescritível, principalmente pelo resultado final. Vá adiante, descubra o que a vida lhe reserva e continue a cada passo a construção deste seu mundo.

É obra que dura a vida toda.

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