Uma estória que podia ser história, Por Mário Machado

 

Em um município qualquer deste Brasil de fronteiras largas, os diretores das escolas municipais reuniram-se e começaram a discutir os problemas comuns a todos, não sem antes passarem pelos seus individuais, que por fim chegaram aos de todos. Os alunos estavam cada vez mais rebeldes, desobedientes, agressivos (e olhem que não faltaram causos de professores agredidos).

Eles viam que o problema na verdade desabrochava para a escola, mas o nascedouro era em casa. Os pais não tinham mais controle sobre seus filhos, fossem eles crianças ou adolescentes.

Ia ser dado inicio ao período de matriculas e eles precisavam de algo para começar a melhorar este quadro. De repente um dos diretores fez uma pergunta aparentemente banal:

– Quem faz a matricula dos alunos?

A resposta unânime foi: – Os pais logicamente e ocasionalmente algum responsável.

– Vocês já participaram de dezenas de matriculas. Em quantas destas os filhos acompanharam os pais?

– Poucas ou nenhuma das vezes. Nunca. Jamais

– Qual a rotina destas filas? Os pais muitas vezes dormem na fila para conseguir a matricula, certo? Pois bem vamos exigir a presença dos alunos.

Os diretores se olharam sem entender como isso poderia ajudar o processo com os alunos. O diretor explicou: – Está na hora destes filhos começarem a dar valor aos seus pais e nós, por tabela, vamos ajudar. Em todas as cartas de convocação para matricula será obrigatória a presença dos estudantes junto com seus pais. Mas não só na hora, eles vão ter que acompanhá-los mesmo que eles fiquem mofando nas filas. Passarão por todo o processo juntos.

– Certo e qual a vantagem disto? Eu não entendo?

– Simples, vamos ensiná-los a darem mais valor aos seus pais e assim começar a melhorar as suas relações em casa. Como conseqüência isso ira se refletir nas escolas. Com dois detalhes, o aluno acompanhará todo o processo, assinará junto com os pais a ficha de matricula, para justificar a sua presença, e cada um levará consigo uma carta com a recomendação expressa de só abri-la em casa.

– O que dirá esta carta? Se vocês concordarem, só eu saberei o que estará escrito, desde que vocês me apóiem.

– Se for para melhorar o nosso trabalho e a nossa relação com eles, por que não?

E assim foi feito. Os alunos em sua grande maioria acompanharam seus pais, ficaram na fila, não sem darem, um ou outro, um showzinho, mas tudo de acordo. Voltaram para suas casas com a tal carta.

Ao chegarem a suas casas abriam e tinha um pequeno texto: “Você viu o que seus pais fizeram por você? Que tal começarem HOJE a serem mais gratos, humildes, obedientes e a terem mais respeito por eles?

Nos meses que se seguiram o resultado foi impressionante.

A verdadeira educação começa em casa.

 

 

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