E onde estão as outras vítimas? Por Mário Machado

Será que no Brasil inteiro, só a vereadora foi morta naquele dia? Mais ninguém?

Ah, teve um pai que foi assassinado por bandidos na frente do filho, quase na mesma hora que a vereadora. Este pai não era político, não estava na mídia, não fez postagens contra a polícia, apenas passava por uma rua com seu filho, em seu carro, quando foi atacado por marginais que além de surpreenderem foram surpreendidos pela polícia e, no fogo cruzado, o pai acabou sendo atingido e morto.

Este pai não teve passeatas, não teve repercussão ou comoção nacional ou internacional, sabe-se lá se alguém da família postou alguma coisa nas redes sociais como ato de indignação.

E onde estão as outras vítimas? Aquelas que morreram em filas de hospitais sem atendimento porque o dinheiro bancou a corrupção, a sacanagem, a bandalheira, a dança do guardanapo em um restaurante chique de Paris. Aqueles que não receberam o alimento necessário, porque seu dinheiro bancava o luxo daqueles que juraram defende-los.

No Brasil morre-se muito mais pelo descaso do que pela violência, só que isso não dá mídia, não faz a ONU e os outros organismos internacionais olharem e se manifestarem. Estes mortos pelo descaso não são objeto de atenção do governo federal para promover uma intervenção nem lhes reservar verbas astronômicas. Como diz a música: “Estão nem ai!!!!!”

E onde estão as outras vítimas? Aquelas que morrem em desabamentos nos morros brasileiros porque foram privadas de uma moradia mais digna e segura.

E onde estão as outras vítimas? Aquelas que também morreram pela violência privada e doméstica, produzidas por pais, maridos, irmãos, filhos, homens e mulheres mortos no seio familiar. Mas eles também não dão mídia. Matam porque a justiça não é efetiva. A legislação é uma piada.

E onde estão as outras vítimas? Aquelas assassinadas diariamente no transito das vielas, ruas, avenidas e estradas brasileira. Onde um assassino leva mais de 10 anos para ser julgado.

São tantas as vítimas em nosso Brasil que a conta nunca vai fechar, e não tem como fechar mesmo, porque existem mortes que não dão IBOPE, não dão mídia, não estão no foco das lentes, das câmeras, e mais, fora do foco da Câmaras, das Assembleias, do Congresso Nacional e, muito menos, dos três poderes.

Temos tantas cruzes espalhadas pelo Brasil que beira o absurdo. E a mídia as esconde.

E onde estão as outras vítimas?

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