Circo midiático. Por Mário Machado

Das primeiras horas da noite de quinta-feira (05/04) e que prossegue até as primeiras horas do raiar desta segunda-feira (09/04) e deve prosseguir mais ainda, vivemos o “cerco” ao ex-presidente no sindicato em São Bernardo, com completa e absurda cobertura da mídia, transformando o país em um circo.

O “cerco-circo” se assemelhou a perseguição ao OJ Simpson nos EUA na década de 1990, e ao caso Eloah em 2008 aqui no Brasil. Nem novela mexicana.

Por conta deste cerco louco, no sábado, sem tem o que ver, me vi obrigado a comprar um filme, pois não tinha novidades na TV. Um absurdo! Vou chutar, mas acredito que entre quinta até hoje o nome do ex-presidente deve ter sido pronunciado umas 70 mil vezes ou mais.

O que eu trago aqui, em verdade, é a superexposição criada com todo este circo midiático. A imprensa querendo cumprir com sua obrigação, exagerou nas doses. Enquanto algumas encerravam suas coberturas com o avião levando o preso para Curitiba, outras estavam apostas naquela cidade aguardando a chegada do avião. E seguiram cobrindo esta insanidade.

Um país parar como parou, por conta de um ato desta natureza, ter a cobertura que teve, prova o quanto estamos desesperados, seja pela justiça, seja pelo fim da corrupção, seja pelo motivo que for, só que foi em excesso. Deram espaço demais para uma vergonha nacional.

Vamos ser honestos, a prisão do ex-presidente é motivo de vergonha, pois o mesmo estava sendo preso por um crime comum, realizado por pessoa incomum.

Nunca antes na história deste país tivemos um presidente ou ex-presidente preso por crime comum, tivemos sim presos por questões políticas, é diferente.

Cá entre nós a mídia, toda a mídia, exagerou, pois apertaram o pé no acelerador e não o tiraram ainda e nem deve tirar mais considerando que vem muita coisa pela frente.

Quando o Zé das Couves foi preso por furtar uma lata de leite nem uma notinha de rodapé de página de blog de quinta categoria. Não teve campanha de outros Zés, ninguém se manifestou em rede social, nenhum repórter ou jornalista foi agredido na cobertura de sua. Para piorar, nem advogado o Zé tinha para carregar a sua malinha.

Compreendo as questões envolvendo a cobertura dos eventos, mas não consigo aceitar o absurdo dos excessos.

O circo chegou, quinta-feira, ainda não desarmou a sua tenda, sabe-se lá quando. Deus nos proteja. E Santa Clara clareai!

 

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