Agronegócio do oeste baiano é o que mais preserva o cerrado no estado

Na data em que se comemora o Dia do Cerrado, uma boa notícia foi dada aos moradores deste bioma: só no oeste da Bahia, mais da metade da área dos imóveis rurais é destinada à preservação do Cerrado. Os números foram apresentados, nesta terça-feira (11), pelo pesquisador da Embrapa Territorial, Evaristo de Miranda, durante o 1º Simpósio regional em Agronegócio e Conservação do Cerrado, em Barreiras. O pesquisador tomou como base os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para calcular a extensão de terras reservadas pelos produtores locais.

“Não tem em nenhuma outra região na Bahia que se preserve tanto quanto o oeste. Praticamente metade dos imóveis rurais está destinada à área de preservação permanente, reserva legal e também como vegetação excedente”, garantiu.

Somado a isso, por lei, o produtor rural mantém 20% de sua propriedade reservados para serviços ambientais (área não cultivada), o que, segundo o levantamento feito pela Embrapa, representa um patrimônio fundiário de bilhões de reais de capital privado imobilizado. “Calculamos quanto financeiramente o produtor rural investe na preservação do bioma. Nenhuma outra categoria investe mais em meio ambiente do que o próprio agricultor”, ressaltou.

A afirmação corrobora o exercício da agricultura sustentável praticada no oeste baiano. Para o vice-presidente da Aiba, Luiz Pradella, a divulgação de números confiáveis é importante para ajudar a desmitificar a ideia de “produtor vilão do meio ambiente”.

“Se diz muito sobre o agronegócio, mas se sabe pouco sobre ele. As pessoas propagam inverdades e fazem um terrorismo psicológico baseado em teses não comprovadas. Por isso, é fundamental um espaço como esse, onde pesquisadores renomados, de entidades sérias, vêm apresentar a realidade e mostrar que o agricultor não só é responsável por alimentar a população e gerar emprego e renda, como também por preservar o meio ambiente. E o melhor é poder debater esse tema em um ambiente tão diverso como este, na presença de acadêmicos, pesquisadores, agricultores, representantes de órgãos ambientais e das três esferas do governo, para estabelecer um diálogo e discutir sobre o futuro do Cerrado”, destaca.

Com a maior diversidade de espécies endêmicas, o Cerrado é o segundo maior bioma do País, ocupando mais de 2 milhões de Km², ou seja, 24% do território nacional. É considerado como “o berço das águas”, já que nele estão localizados três grandes aquíferos: Guarani, Bambuí e Urucuia, sendo este último com a maior extensão sob o solo do oeste baiano. Devido à riqueza da sua biodiversidade, foi instituído o dia 11 de setembro como data comemorativa.

“A conservação de importantes renascentes de Cerrado vem sendo demonstrada com os números do CAR, que, de maneira sistêmica, contribui com a manutenção da biodiversidade regional e dos serviços ambientais, uma vez que temos uma rica diversidade biológica no bioma. Os números da adesão ao CAR comprovam o quanto se preserva aqui na região, o que significa dizer que é possível mitigar os impactos ambientais no processo de produção em larga escala. Daí a importância de realizar eventos esclarecedores como este”, pontuou a diretora de Meio Ambiente da Aiba, Alessandra Chaves.

Com intuito de mostrar ações, traçar planejamentos e inovações para conservação do Cerrado no oeste da Bahia, o 1º Simpósio regional em Agronegócio e Conservação do Cerrado é uma iniciativa da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), apoiada pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Associação dos Produtores Baianos de Algodão (Abapa) e pelos governos Municipal e Estadual. O evento, que vai até esta quarta-feira (12), integra programação das comemorações da Semana do Cerrado, e inclui, ainda, a distribuição de mais de 400 mudas de espécies nativas do Cerrado.

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