O autor do ataque na Catedral de Campinas (SP) relatou, em um diário encontrado pela Polícia Civil nesta quarta-feira (12), o que ele chama de “massacre” no estado do Ceará em janeiro deste ano, citou “Realengo”, em uma referência à chacina com 11 mortes em uma escola do bairro carioca em 2011, e afirmou que era perseguido.

Na terça (11), Euler Fernando Grandolpho abriu fogo contra fiéis dentro da igreja durante uma missa, matou cinco e depois se suicidou. Quatro homens morreram no local do crime e uma quinta vítima morreu no dia seguinte no Hospital Mario Gatti. Outras três pessoas ficaram feridas, foram atendidas em unidades médicas e liberadas.

A Polícia Civil apreendeu na casa de Euler, além do diário, documentos e um computador. A EPTV teve acesso à uma das páginas que ele faz referências às mortes. No dia 27 de janeiro deste ano, criminosos invadiram a casa de show Forró do Gago, no Bairro Cajazeiras, em Fortaleza (CE), e mataram 14 pessoas a tiros. Em uma página datada de 31 de janeiro, o atirador fala em “massacre dias atrás” e diz que uma pessoa o provocou sobre o assunto, por isso ele retrucou lembrando de “Realengo”.

“Passei com meu cão em frente a uma construção ao lado da casa Q. Os moradores tem (sic) uma veterinária e uma delas gritou com “as paredes”: “E aí Ceará”, sobre o massacre ocorrido dias atrás. Ok. Hj (sic), 31/01/2018 passei por lá e falei alto com o celular desligado na orelha. E aí Realengo”, diz um trecho do diário.

Em outra página, ele relata que era perseguido há mais de dez anos e que a “pena” para essas pessoas seria uma viagem pelo mediterrâneo com direito a acompanhante com tudo pago. “No começo cometiam crimes com a maior naturalidade. Agora estão em pânico, espalharam pela cidade o que está prestes a acontecer. Meu deus”, afirma no diário.

Perfil depressivo

A Polícia Civil agora quer saber qual foi o trajeto feito pelo atirador de casa, onde almoçou, até a igreja. De acordo com o delegado José Henrique Ventura, os investigadores descobriram que o atirador fazia uma espécie de diário onde anotava placas de carros e outras informações sobre supostas perseguições a ele.

“Ele tinha um perfil de se sentir perseguido. Chegou a registrar boletins de ocorrência e segundo consta, até em função desse perfil, que poderia vir de uma depressão, ele fez uma consulta no CAPS que é um centro de apoio psicossocial para tratar disso”, afirmou o delegado do Deinter-2.

Os familiares confirmaram que o atirador chegou a fazer tratamento para depressão e temiam que ele cometesse suicídio. O pai disse aos policiais desconhecer o fato de o filho ter armas. O atirador estava com duas armas, ambas com numerações raspadas, alvo das investigações nesta quarta-feira.

“A família hora nenhuma desconfiou que ele poderia ter alguma arma, ele nunca falou em arma, nunca foi visto com arma, as vezes quando estava depressivo tinha conversas estranhas, o que fazia com que eles temessem que pudesse cometer um suicídio, mas não essa tragédia”, explicou o delegado Ventura.

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