A morte prematura de uma geração, por Régis Truccolo

Todos os dias, a mídia despeja em cima de nós, milhares de notícias nacionais e internacionais, as quais, nos causam de certa forma, revolta, estupefação e raramente, alguma nos alegra. São mortes, corrupção, politicagem, tragédias, crimes, e ainda muita futilidade. Às vezes, nem reparamos com mais profundidade na notícia, ela vem, como um tapa na cara, nos atinge e logo em seguida descartamos. Contudo, nestas semanas, várias notícias me chocaram, e me fizeram parar, refletir, e ao mesmo tempo me deixaram indignado com o mundo. A cada dia, mais jovens morrem prematuramente. A cada dia, ouço e vejo jovens dando declarações de que querem viver enlouquecidamente cada minuto da vida e a cada dia vejo mais jovens, sendo seduzidos pela droga, que devasta o usuário e destrói famílias. Hoje li uma notícia, que vem de Recife/PE, onde a jovem Stephany Dantas de Oliveira, auxiliar de ensino infantil de 19 anos teve o couro cabeludo arrancado durante um acidente em uma pista de kart, no estacionamento do supermercado Walmart, em Boa Viagem, no fim da tarde do domingo (11). Segundo familiares, Débora Stefanny, havia ido ao local pela primeira vez para se divertir com o namorado e usava todos os equipamentos de segurança. O casal pagou R$ 100 (cem reais) para dar 22 voltas, mas na segunda volta, o cabelo da auxiliar de ensino saiu do capacete e ficou preso ao motor do kart, que estaria sem proteção. Parte do rosto e o cabelo arrancados foram postos em uma sacola e levados por Eduardo para o hospital. O namorado da vítima, Eduardo Tumajan nesta terça-feira(13), dando entrevista a uma rádio de Recife contou, emocionado, o desabafo de Débora Stefani Dantas de Oliveira: “Ela me olhou nos olhos, toda ensanguentada, e disse: ‘amor, eu não tenho mais nada na minha vida. A única coisa que eu tinha era a minha beleza. Você ainda vai me amar?”. Chamou a atenção o que Débora disse: “…..eu não tenho mais nada na minha vida. A única coisa que eu tinha era a minha beleza……”

Realmente, este tipo de notícia me entristece, me fazem refletir. Onde estamos errando? Independente de culpas que se busquem nas tragédias, a mais grave lição, é de que a vida vem sendo tratada na sociedade brasileira, e talvez no mundo inteiro com descaso. Na minha concepção pessoal a vida é uma dádiva, um presente de Deus. Mas, se não formos nos ater no aspecto religioso, a própria seleção natural científica, demonstra que nascer é um presente, algo incrível. E nascer com saúde, algo mais maravilhoso ainda. No entanto, a vida tem sido tratada como lixo, menosprezada. E Débora equivocadamente, disse que só tinha a beleza, não tinha mais nada na vida. Talvez Débora devesse visitar o hospital do câncer infantil em Recife, e ver como os pequenos e seus familiares, se agarram a vida, pelo que ela é, o que há de mais sagrado na existência. Provavelmente, Débora, impactada pela sua tragédia pessoal, não tenha percebido, que ela é muito mais que um rostinho bonito, tanto para seus parentes, como para seu namorado e sua família. Dia destes coloquei numa petição direcionada a Vara de Família local, que não somos apenas um número na estatística do Tribunal de Justiça. Pois bem, Débora, você não é apenas a sua beleza. E não, nós não somos apenas um número. A vida é bem mais que isso, e precisamos valorizar cada minuto de nossa existência, com coisas boas, coisas alegres, e principalmente espalhar amor junto com quem nos ama.

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