Antes dessa história de que a China se tornaria uma potência econômica mundial, o que realmente aconteceu, tanto que é principal compradora de produtos (principalmente commodities) brasileiros – ou seja, parceiro comercial maior –, todo mundo sabia que comprar produtos chineses era sinônimo de dor de cabeça. A China só mandava os Chamados Xing-Lings, peças e produtos confeccionados com matéria-prima de baixa qualidade. A China não criava nada. A China sempre foi adepta da máxima “Nada se cria, tudo se copia”. E ela copiava de aparelhos de TV a sandálias tipo havaianas. De tênis de “marca” até carrões esportivos como as cópias do Jaguar ou do Mercedes Benz. Lembre-se que os chineses falsificaram até ovos.

Quem comprava as peças Xing-Lings já sabia que estava dando adeus ao dinheiro, mesmo que o produto custasse uma fração do preço normal de um artigo original. Quem esquece a figura dos chineses nas poetas dos bancos apregoando tênis de todas as grifes?:

– Tênis Lebloook por tlinta leais.

O “tlinta” (não se trata aqui de preconceito ou xenofobia, mas uma dissertação), caiu no agrado do povo de Salvador (e baiano gosta mesmo de uma sacanagem) e tudo passou a ser “tlinta”. Até picolé Capelinha, de saudosa memória, era anunciado assim, mesmo custando centavos. Aliás, se os chineses soubessem do sucesso do Capelinha, com certeza tinham feito uma versão mais barata.

Mas, o que se vê agora são os governadores do Nordeste brasileiro tendo de correr para comprar respiradores justamente na China. E todos sabendo do histórico. E os chineses que também são tidos e havidos como “sabidos”, ou pegaram a verba e entocaram sem mandar o material contratado (e para pegar de volta vai ser uma loucura e haja tempo, pois a China não reconhece vários fóruns jurídicos ou organização comercial, mundo afora) ou enviaram os equipamentos que não funcionam, faltam peças, ou de baixa qualidade, em que é melhor ficar assoprando ou abanando o doente que colocar no respirador Xing-Ling.

Eu tenho um telefone Xing-Ling que ganhei de presente. Não consigo fazer ligação, mas descobri que quando tento ligar ele funciona como um rádio-receptor. Ouço conversa de pilotos nos aviões e de vez em quando entra a conversa de outra pessoa ou mesmo uma rádio qualquer tocando música. Capaz do doente estar entubado com o respirador Xing-Ling sem fazer efeito, mas passando filme. Que não seja de terror. Lembre-se também que um diretor de cinema copiou o desenho “Carros” e disse candidamente quando confrontado: “Os carros na rua não são parecidos? Se alguém se parece com você, esta pessoa está violando as leis? ”. E nossos doentes dependendo dos Xing-Lings. Melhor ficar em casa. De quarentena.

*Jolivaldo Freitas

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Esceitor e jornalista. Autor de “A Engenharia e a História da Bahia” e Cemitério de Cães Noturnos”. Email: Jolivaldo.freitas@yahoo.com.br

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