A falácia do novo normal – por Jolivaldo Freitas

Nada de novo vai acontecer no front que não já estivesse sendo praticado, usado ou mimetizado. Tenho absoluta certeza, levando-se em conta outras pandemias que a história da medicina e da humanidade mostra, ou várias tragédias, como as guerras mundiais, que não haverá esse tal de “novo normal”. Digo, contrapondo as proposição de sociólogos, psicólogos, cachaceiros, antropólogos e jornalistas que andam disseminando o conceito, como se os Cavaleiros do Apocalipse estivessem passando na porta e redizendo que quem viver terá de mudar.

Faço aqui uma aposta que se conseguirmos a vacina até o primeiro semestre do ano que vem, para debelar a pandemia do Covid-19, dois anos depois, lá por volta de 2023 o mundo terá uma vaga memória do que aconteceu. A vida voltando ao seu normal antigo, de sempre, com algumas mudanças que não serão nada radicais. Alguns que estão na neura irão continuar usando máscaras, lavando as mãos, praticando o distanciamento. A maior parte, meu caro leitor e minha leitora favorita, não fará nada disso aqui por estas bandas chamadas Terra Brasilis.

Nem digo da população mais pobre e mais ignorante – em termos educacionais, claro -, falo também das pessoas com ciência das coisas, com poder econômico ou mesmo formadores de opinião que acharão, nem que seja intimamente, um jeito, um motivo, uma desculpa para esquecer máscaras e hábitos de proteção à saúde. Na alta Idade Média bastaram uns anos da peste ter sido mais ou menos superada para que a população dos povoados – os burgos – e vilas voltassem ao normal, bem normal. No Brasil, depois da Gripe Espanhola se dizia que a população passaria a manter distância uma das outras. A gripe foi controlada no fim do ano de 1904 e no ano seguinte, no Rio de Janeiro, para citar um exemplo, foi realizado o maior Carnaval do início do século XX, com corsos, desfiles, bailes.

O que vai ficar, ficará por ser cômodo, como por exemplo os cursos à distância mais valorizado (que já existem), o home office (que já existe) sem a parte prática e menos estressante, a compra no supermercado com entrega em casa, todos os tipos de delivery e a mais interessante que é a consulta online (que já existiam países mais adiantados e no Japão até feita por robôs). Está achando que haverá o novo normal na churrascaria, nos bares e nas praias? Não. Na Arena Fonte Nova e no Barradão? No Maracanã?

O Brasil gosta mesmo é de futurologia. Veja o que se preconiza para o “Novo Normal” nas relações de trabalho e que serão possíveis: O RH vai selecionar por videoconferência. O profissional terá de ser proativo e ter iniciativa. Não vai precisar de um “capataz” no seu cangote em seu labor home office. Empresas que optarem pelo trabalho local terão de ter mais espaço. Mas, não demora e as operadoras de telemarketing voltam a acumular gente como um vespeiro. Será a glória do ecommerce para desespero dos shoppings e lojas de rua.

Antes que me esqueça, tem conceito para o “Novo Normal”. Seria mais ou menos a instauração de um padrão de comportamento e hábitos de preservação pessoal e proteção coletiva. Um exemplo é o uso de equipamentos contra o Covid. Portanto, se o leitor e a leitora estão assustados com o “novo”, por ser algo vislumbrado como assustador, lembrem-se que o ser humano se acostuma com tudo. Até a conviver com perdas e dores físicas. É a vida. Nada de anormal.

*Jolivaldo Freitas
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Escritor e jornalista. Jolivaldo.freitas@yahoo.com.br

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