Preço do algodão dispara no campo, mas indústria descarta alta ao consumidor

Foto//Abrapa – CARLOS RUDINEY MATTOSO

Nas últimas semanas os alimentos chamavam atenção pela alta dos preços, mas agora o algodão se valorizou no campo nos últimos meses. A pluma, que é um dos principais itens da indústria de roupas, chegou a valorizar cerca de 20% no fim de agosto.

Isso gera preocupações de que, além da alimentação, as roupas fiquem mais caras. Em São Paulo, varejistas projetam que, com a baixa procura e a subida nos preços do algodão, as vestimentas se valorizem.

Porém, segundo a indústria têxtil, essa alta não deverá chegar forte ao consumidor. Isso porque o impacto da valorização do algodão acabou sendo absorvido pela atividade. “Os primeiros elos da cadeia sofreram um impacto muito grande, mas são várias etapas até chegar ao consumidor. Nossa estimativa é de que o algodão representa 7% do preço total da roupa”, afirma Fernando Pimentel, presidente da associação do setor (Abit).

“A alta atinge uma parcela da produção de vestuário do país. Considerando que metade da produção é algodão e outra metade não, mesmo se todo o custo fosse repassado, a alta na ponta (do consumidor) seria algo de 1%”, acrescenta Pimentel.

Além disso, a indústria acredita que o aumento é passageiro. O motivo é que, como o setor parou durante a pandemia, a retomada é demorada, com muitas empresas querendo comprar algodão ao mesmo tempo, o que também valoriza o produto.

“No retorno das fábricas, há cerca de 45 dias, todo mundo recompôs os estoques. Antes da pandemia, o algodão custava R$ 2,70 por libra-peso (454 gramas), chegou a R$ 3,30 e, agora, está por volta de R$ 3,15, aumento hoje de 16%”, explica o presidente da Abit.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP (Cepea), o pico de preços de algodão no ano ocorreu no dia 27 de agosto. Desde então, o valor do produto entrou em trajetória de queda, mas, ainda assim, está maior do que antes da pandemia.

Como todo produto de exportação do agronegócio, as chamadas commodities agrícolas, o dólar é o principal motivo. Isso porque as cotações do algodão são definidas na Bolsa de Nova York.

Na média histórica, o preço do produto fora do país não está em níveis recordes, está valendo pouco mais de US$ 0,60 por libra-peso – para efeito de comparação, esse índice já chegou a passar de US$ 1,00 anos atrás.

Mesmo assim, quando convertemos, o valor fica mais salgado, como mostraram os dados do Cepea. Isso porque, neste ano, a moeda americana já se valorizou mais de 30% frente ao real. E, segundo a indústria, quem acaba recebendo o maior impacto é o primeiro elo da cadeia de manufatura: as fiações.