Mulheres, flores e os jardineiros perdidos: Por Regis Truccolo

O grande escritor brasileiro, José Martiniano de Alencar dizia que: A mulher é uma flor que se estuda, como a flor do campo, pelas suas cores, pelas suas folhas e sobretudo pelo seu perfume. Em minha opinião, para apreciar e conhecer a beleza de uma flor, não precisa ser jardineiro. Para cuidar de uma flor basta o carinho, o cuidado necessário, o amor de quem admira. Para apreciar e conhecer a beleza de uma mulher, um homem não precisa ser um Vinicius de Moraes, mas, saber que além da sua mulher amada ela é aquela essência de sua vida, o melhor, do seu mundo. Contudo, amor e paixão, estes sentimentos tão humanos, quando acabam ou se transformam em ódio, tristemente abalam não só o casal, mas todo um complexo familiar. Não existe dia, sem que, ao abrir as páginas dos noticiários na internet, não haja notícias de um crime passional ou de ordem familiar. Que a sociedade atravessa um momento delicado no que se refere a relações interpessoais, isso todos sabemos. Há um grande conflito no mundo ocidental, entre o chamado modelo familiar cristão e a liberalidade do mundo globalizado. Este embate tem gerado conflitos, que a cada dia, extenuam o ambiente familiar. Mas, aqui tratarei dos crimes passionais. Evidente que a violência doméstica sempre existiu, mas, no mundo moderno, é inconcebível, que após, décadas e décadas de discussões e transformações no século XX, tenhamos adentrado no século XXI, com a violência nos lares aumentando, principalmente dos homens contra as mulheres, em que pese hoje também existir muitas mulheres cometendo crimes contra homens. Da disputa no lar, geralmente os filhos tornaram-se vítimas. Seja na constância do casamento, seja após a separação, invariavelmente, os ânimos entre os casais tem se acirrado, envolvendo provocações mútuas, com agressões verbais, muitas vezes agressões físicas e até mesmo, tragicamente, mortes. No final de semana, li a triste notícia de que um pai, na zona oeste do Rio de Janeiro, matou os dois filhos menores e depois jogou-se do prédio onde morava, em mais uma tragédia familiar, deixando publicações que levam a polícia a crer que o ato louco foi consequência da sua não aceitação da separação do casal, e, da disputa da guarda dos filhos. Os fatos se repetem e as estatísticas não acompanham com precisão o mapa crescente da violência doméstica, até porque, ainda em muitos lugares, há uma cultura de total submissão, medo e silencio, por parte das mulheres agredidas por seus companheiros. Nem mesmo, as leis Maria da Penha (Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006), a Guarda Compartilhada (Lei nº 13.058, de 22 de dezembro de 2014.), a Lei de Alienação Parental (Lei nº 12.318/2010) trouxeram paz aos lares brasileiros. Conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a aplicação da Lei Maria da Penha fez com que fossem distribuídos 685.905 procedimentos, realizadas 304.696 audiências, efetuadas 26.416 prisões em flagrante e 4.146 prisões preventivas, entre os anos de 2006 e 2011. Homens, estamos meio perdidos, desaprendemos a sermos jardineiros e cuidarmos de nossas belas flores. Alguns, contudo entendem que a flor, tornou-se espinhosa. Que seja, para o homem que se adapta ao deserto, ao gelo, que vai a lua, que move montanhas, já deveríamos ter nos adaptado a essa nova mulher moldada no século XX. Da mesma forma, a mulher deveria olhar para si, não abdicando de seu novo mundo de conquistas, mas lembrando, que na essência é feminina, e que feminilidade é delicadeza, é ser mãe, é ser esposa, é ser companheira, é ser a inspiração de todo homem, na construção de uma vida a dois, e de uma família, base formadora da sociedade. Avós, mães, irmãs, esposas, filhas, primas, namoradas, amigas, colegas. Parabéns, neste dia 08 de março. Obrigado por existirem.