Sua alteza, o Agricultor! Por Mário Machado

São 3:30hs, fazem 28º. de calor, e a noite não me deixou dormir mais. Um tanto envolvido pelo calor, um tanto pelos problemas diários, outro tanto por um sonho/pesadelo, que me fez acordar, ir para a cozinha, liberar o meu mais velho para o pátio, fazer um café fresco e sentar ao computador para conversar com vocês.

Vivemos em uma região de cerrado, abençoada por Deus e bonita por natureza, mas que beleza. Como nosso cerrado é rico e maravilhoso. Outro dia tive a oportunidade de conhecer os projetos de um conhecido que além da própria terra ainda arrenda outras áreas e olha que não estou falando de Grande Produtor Rural, mas de um pequeno para médio. Pela sua área e pelas arrendadas.

Em nossa conversa descubro um universo a parte, bem a parte do qual estou acostumado, afinal sou um homem urbano, citadino, plenamente acostumado ao meu habitat. Conhecer áreas de produção foi uma viagem imensa, uma imersão a um mundo completamente diferente, e isso que não entramos em detalhes técnicos.

Em um diálogo aberto e franco vou vendo que há muito trabalho no campo, mas muito mesmo, e pelo que entendemos o julgamento da sociedade desinformada leva a sentenças preocupantes.

Em um dos pontos ele diz que não entende como podem julgar mal os agricultores no quesito extensão de terras (nunca vou precisar o tamanho da área de propriedade posse dele. Concluímos que quem não tem 1ha acha que quem tem 1, 10, 100, 1000, 10000ha, na verdade são milionários, esbanjadores, abusadores dos fracos e oprimidos.

Não é bem assim.

A área que ele possui não foi dada de bandeja, pelo contrário, é a custo de muito sacrifício em prol de um sonho. Sonhos devem ser respeitados, mas muito mais que sonhos, o trabalho deve ser respeitado.

Quando ele me fala, não do custo do investimento, mas das perdas sofridas pelas intempéries da vida, aí que me surpreendo mais. A natureza, por si só é muito caprichosa, mas demais da conta, e ela não olha para A ou B, ela cumpre seu papel com uma maestria cavalar. Não importa de quem seja a culpa.

Associe a natureza, ai sim, ao universo econômico que não possui maestria em seus arroubos, atinge de A à Z, não tem qualquer parcimônia, sequer cerimônia e faz vítimas pelo caminho e rastro que deixa atrás de si. O objeto de seu prazer é o vil metal.

Por derradeiro nos deparamos com a falta de apoio, mais significativo, por parte dos governos federal, estadual e municipal em exemplo de má-gestão, malversação do dinheiro público, de obras inacabadas ou pior de obras sequer iniciadas.

Tem coisa muito pior, ainda veem o produtor rural, o agricultor como um bandido, um explorador, um assecla do capeta, e deixam de dar-lhes o suporte e o apoio que precisam e merecem. Esquecem que desde que acordam até a hora de dormir o que comem, principalmente, passou pela mão de um produtor ou agricultor. Ingratidão é coisa muito feia.

Ninguém é santo, ninguém é criança, mas o tratamento dado a nossa agricultura, quer em subsídios, quer em consideração, deveria sofrer um giro de 180º e isso é o mínimo que se pede.

Se o Brasil é um grande exportador não é porque ele venda produtos prontos mas porque ele é um grande gerador de commodities in natura e isso tem que ser respeitado, revisto, reavaliado e colocado em pauta de qualquer um que queira assumir qualquer posto eletivo ou não nesta nação.

A foto que ilustra esta matéria mostra o pôr do sol em nosso cerrado, mostrando que mais um dia vem por ai, mais uma esperança se vai, mas que outra vem, principalmente, para Sua Alteza, O Agricultor. Obrigado Tio Carlos.

FÉ, FORÇA E CORAGEM. SEMPRE!