De Pressão na Depressão; por Mario Machado

Não me tomem por mórbido por trazer este assunto à minha coluna, porém quero dividir com vocês o que ocorreu comigo. No último dia 12 de abril sofri um infarto agudo do miocárdio que me deixou a alguns centímetros do outro lado. Descobri depois que Deus não me queria lá em cima e o Capeta não me queria lá embaixo, então resolvi ficar no meio do caminho, ou seja, por aqui mesmo.

Como desdobramento do infarto fui acometido por uma depressão séria, pois sempre temos a imbecil capacidade de nos acharmos imortais e isso é uma grande piada ainda mais quando você é confrontado com a verdade. Na primeira semana não consegui dormir, me disseram que era medo de dormir e não acordar, ou pior, acordar morto, o que seria triste também.

Esclareço uma coisa, não tenho medo de morrer, em hipótese alguma, porém como o humorista Chico Anysio me ensinou há alguns anos eu teria pena de morrer porque a vida é tão bela, tão maravilhosa que vale a pena ser vivida.

Depressão (CID 10 – F33) é uma doença psiquiátrica crônica e recorrente que produz uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, sem fim, associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, desesperança, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite.

É importante distinguir a tristeza patológica daquela transitória provocada por acontecimentos difíceis e desagradáveis, mas que são inerentes à vida de todas as pessoas, como a morte de um ente querido, a perda de emprego, os desencontros amorosos, os desentendimentos familiares, as dificuldades econômicas etc.

Diante das adversidades, as pessoas sem a doença sofrem, ficam tristes, mas encontram uma forma de superá-las. Nos quadros de depressão, a tristeza não dá tréguas, mesmo que não haja uma causa aparente. O humor permanece deprimido praticamente o tempo todo, por dias e dias seguidos. Desaparece o interesse pelas atividades que antes davam satisfação e prazer e a pessoa não tem perspectiva de que algo possa ser feito para que seu quadro melhore. Fonte Blog Dr. Dráuzio Varella.

Existem vários tipos de depressão e tem uma classificação própria, basta ver no site do Ministério da Saúde (http://saude.gov.br/saude-de-a-z/depressao). La eu encontrei a minha:

Depressão endógena: Caracteriza-se pela predominância de sintomas como perda de interesse ou prazer em atividades normalmente agradáveis, piora pela manhã (no meu caso é a tarde), falta de reatividade do humor, lentidão psicomotora, queixas de esquecimento, perda de apetite importante e perda de peso (até agora perdi mais de 22kg, o que por um lado foi muito bom para mim), muita desanimo e tristeza.

Todos os sintomas que expus acima, na depressão endógena, eu senti e ainda sinto, de forma mais moderada, até hoje. Mas com certo controle, acompanhamento médico e, acima de tudo, DEUS em minha vida.

Vejam bem, é muito importante falar sobre depressão, assim como, no mês de novembro, falarmos do câncer de próstata.

Muitas vezes as pessoas estão confundindo sintomas e acham que tem depressão e não tem, por outro lado podem ter e não sabem, pior, silenciam. Não se feche, abra a boca e fale, fale alto para todos que o cercam poderem ouvir você, de que você precisa de ajuda e está pode estar do seu lado e você não saber.

Você tem que falar com você mesmo (o primeiro passo para a cura é você assumir que está doente), com a sua família, os seus amigos, os seus colegas de trabalho, os que o cercam. A depressão não pode ser um segredo guardado a sete chaves, pelo contrário, temos que falar. Veja bem, não é publicar nas suas redes sociais, porque não é palco para isto.

Busque ajuda, procure um médico de sua confiança, um psicólogo, um terapeuta, um psiquiatra. Fui educado a ver o psiquiatra não como um médico de loucos, mas alguém com condições e capacidade para tratar em forma de terapia e medicação os problemas que envolvem nossa mente e corpo. Procurar um psiquiatra não quer dizer que você esteja louco. Mas que você é são o suficiente para se reconhecer com problemas e que quer ajuda.

Acredite irmão (ã), você não está sozinho. Dê uma pressão na depressão!