Defesa de Daniel Alves apostou em versão de embriaguez no julgamento por estupro na Espanha

Desde o início do julgamento do ex-jogador brasileiro Daniel Alves, que começou no início desta semana em Barcelona, na Espanha, a defesa de Alves tem investido na versão de que ele estava muito embriagado na boate na qual, segundo a acusação, estuprou uma jovem. Esta foi a quinta versão apresentada pelo ex-jogador.

O argumento foi defendido ao longo do julgamento pela advogada de defesa, pela esposa de Alves, Joana Sanz, por amigos, pelo psicólogo que o acompanhou ao longo do ano passado e pelo próprio Daniel Alves em seu depoimento nesta quarta-feira (7).

A insistência na versão é uma tática na tentativa de conseguir uma redução de pena caso Daniel Alves seja condenado, segundo disseram especialistas em direito penal à imprensa espanhola.

O Código Penal espanhol tem dois artigos que estabelecem que o consumo de álcool pode ser um atenuante em casos de agressão sexual – a Espanha não tem tipificado em seu código o crime de estupro, e, por isso, acusações com a feita a Daniel Alves são julgadas sob o guarda-chuva do crime de agressão sexual.

Os artigos determinam que casos em que o autor do crime, “no momento de cometer a infração penal, esteja em estado de intoxicação plena pelo consumo de bebidas alcóolicas, (…) o transtorno mental transitório pode ser um atenuante”.

No entanto, o código também determina que o atenuante só poderá ser considerado em casos de “grave adição” de substâncias como o álcool.

Em seu depoimento nesta quarta, Alves declarou que tomou “umas garrafas de vinho e várias doses de uísque” durante um jantar com amigos antes de que o grupo fosse à boate. Depois, em um bar, afirmou, tomou gim tônicas e chegou à boate Sutton, onde a acusada diz ter sido estuprada pelo brasileiro, já muito embriagado.

 

Mais cedo, o psicólogo que o acompanhou ao longo do ano passado na prisão – Alves está preso preventivamente desde 20 de janeiro de 2023 – também afirmou que seu paciente não costuma beber e, por isso, ficou muito afetado pelo consumo de álcool na noite do suposto crime.

A versão do excesso de bebida foi defendida ainda pela esposa de Alves, a modelo espanhola Joana Sanz. Ela foi uma das 28 testemunhas convocadas a depor nos três dias de julgamento e, em sua fala, disse que, na data, seu marido chegou em casa muito embriagado e até “se chocou contra um armário e caiu na cama”.

Fonte//G1